Como criar uma loja online para farmácia em Portugal?

Como criar uma loja online para farmácia em Portugal?

Para criar uma loja online para farmácia, é preciso ter autorização do INFARMED para vender à distância, um site próprio que identifique a farmácia e o seu diretor técnico, e um sistema de entrega supervisionado por um farmacêutico.

As regras aplicam-se a farmácias e parafarmácias registadas, mas o que cada uma pode vender online é diferente: as farmácias podem receber pedidos de medicamentos com e sem receita, e as parafarmácias apenas de medicamentos sem receita.

Medicamentos com receita médica

Aqui a regra é clara: só as farmácias podem dispensar medicamentos com receita. Como a receita é obrigatória, o pedido online só fecha depois de o farmacêutico a validar, e a entrega é sempre ao domicílio e está sujeita à supervisão obrigatória de um farmacêutico.

E como é que a receita chega à farmácia?

Hoje, a receita é eletrónica, a chamada receita sem papel. Depois da consulta, o utente recebe por SMS ou e-mail (ou vê na app SNS 24) o número da receita, o código de acesso e dispensa e o código do direito de opção, este último para quando prefere um medicamento equivalente mais caro do que o prescrito. Não é um documento que se anexe: é um conjunto de códigos que permitem à farmácia aceder à prescrição no sistema.

Num site de farmácia, o pedido costuma seguir estes passos:

  1. O utente escolhe os medicamentos e envia à farmácia os códigos da receita, através de um campo no formulário de pedido ou de outro canal seguro definido pela farmácia.
  2. O farmacêutico usa os códigos no software da farmácia e confere a prescrição.
  3. A farmácia confirma o pedido, com o preço final e a hora de entrega.
  4. Os medicamentos são dispensados e entregues com supervisão farmacêutica.

Se o utente não tiver os códigos à mão, a farmácia consegue aceder ao histórico de prescrições através do número nacional de utente e pedir o envio de um novo código por SMS. A receita em papel ainda existe, mas é a exceção, e quando aparece é entregue no momento da dispensa.

Para o site funcionar bem neste cenário, convém que tenha um formulário que distinga produtos com e sem receita, que proteja os dados com cuidado (são dados de saúde) e que comunique com o software da farmácia, para o farmacêutico não ter de passar tudo à mão. E uma nota importante: a entrega de medicamentos ao domicílio está limitada ao concelho da farmácia e aos concelhos vizinhos.

Medicamentos sem receita médica

Aqui o cenário é mais simples e mais aberto: tanto as farmácias como as parafarmácias e outros locais de venda registados no INFARMED, podem receber pedidos online. O utente escolhe os produtos, indica a morada, paga, e a farmácia prepara a encomenda com um farmacêutico a supervisionar. Nas parafarmácias, essa supervisão pode ser feita também por um técnico de farmácia. A entrega faz-se ao domicílio ou fica pronta para levantamento.

Há duas coisas a ter em conta:

  1. A limitação geográfica da entrega de medicamentos aplica-se também aqui, tal como nos medicamentos com receita.
  2. Os medicamentos de dispensa exclusiva em farmácia não podem ser vendidos pelas parafarmácias.

E tudo o que não é medicamento, como dermocosmética, higiene ou saúde oral, segue as regras normais do comércio eletrónico, sem limite geográfico de entrega. É, aliás, nesta parte do catálogo que muitas farmácias encontram maior margem para crescer online.

Regras gerais que se aplicam a tudo:

Seja qual for o tipo de produto, há um conjunto de regras que se aplica sempre:

  1. Registo no INFARMED: Só quem está autorizado pode dispensar medicamentos à distância. O INFARMED publica a lista das entidades autorizadas, e é aí que os utentes podem confirmar se um site é legítimo.
  2. Site da própria farmácia: É preciso ter um site específico para a farmácia, não se pode vender medicamentos através de um marketplace ou de uma plataforma de terceiros.
  3. Informação visível: O site deve mostrar quem é a farmácia, quem é o diretor técnico, quanto custa a entrega e que zona abrange.
  4. Farmacêutico na dispensa e na entrega, em todos os pedidos de medicamentos.
  5. Logótipo europeu: Os sites que vendem medicamentos a clientes de outros países da União Europeia têm de exibi-lo, e ele liga à lista oficial de sites autorizados.
  6. Regras de qualquer loja online: Livro de reclamações eletrónico, informação clara sobre preços e devoluções e proteção de dados, com um cuidado extra por se tratar de saúde.

Por onde começar?

O primeiro passo é confirmar com o INFARMED que a farmácia está registada para vender à distância. A partir daí, o caminho é este:

  1. Definir o que vai ter na loja: só produtos e medicamentos sem receita, ou também pedidos com receita. Essa decisão define muito do que o site precisa de fazer.
  2. Escolher a plataforma, afinal uma loja online genérica consegue vender produtos, mas raramente foi pensada para o dia a dia de uma farmácia. O ideal é uma plataforma que se ligue ao software de gestão, atualize o stock sozinha e já inclua a informação obrigatória e o formulário de pedido.
  3. Combinar com o diretor técnico como a equipa vai validar as receitas e preparar as entregas.
  4. Rever o essencial antes de lançar: informação legal, privacidade, livro de reclamações e logótipo europeu.

Criar uma loja online para farmácia não tem de ser complicado. Depende, sobretudo, de perceber desde o início o que se pode vender, quem acompanha cada pedido e como o site vai tratar os dados de saúde de quem compra. Com essas bases claras, o resto é construir uma experiência simples para o utente, que lhe permita encomendar com confiança e sentir que continua a falar com a sua farmácia.

É para isto que existe a WebFarma: uma plataforma que permite potenciar a comunicação das farmácias, que ajuda a pôr tudo isto em prática sem começar do zero.

E se ainda está a ponderar se precisa mesmo de uma loja online, ou se um site para dar a conhecer a farmácia e os serviços da zona já responde ao que procura, vale a pena ler o nosso artigo sobre as diferenças entre um site e uma loja online para farmácia.



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